Fernando Mendes: «Nunca serei adepto do Sofá»

Reportagem da Revista Sabado: "A caça aos adeptos de risco"


Número de banidos pode subir – há dezenas de processos em análise

"..ainda foi pior porque perdeu o emprego em consequência da interdição. Já a mim, custou-me mais ser banido dos estádios do que pagar a multa: posso comer uma sopa em vez de um bife e ir pagando, mas não poder acompanhar o meu Sporting dói-me muito."

"Eu ainda tentei assistir a um jogo. Foi contra o Legia de Varsóvia, mas fui logo apanhado: “Oh Fernando, sabe bem que não pode entrar”, disse-me a polícia. Eu colaborei. Estava misturado na claque, mas sem disfarces. Para ir, vou com os meus, para a claque, não vou pôr um chapéu e um bigode postiço e tentar entrar na bancada central. Não, eu tenho de ir como Fernando “Mendes”, com os meus homens, de tronco nu a mostrar as minhas tatuagens do Sporting. Desisti de tentar. Vejo os jogos na sede da Juve Leo, com mais colegas, nas roulottes de Alvalade ou em casa, com uma ou duas cervejas enquanto janto. Quando vejo em casa, sinto-me um velho. Os jogos aborrecem-me, às vezes até faço zapping. Nunca serei adepto de sofá. Acho que mesmo de bengala ou de cadeira de rodas vou querer ir ao estádio."


"Não pude ir ao Euro de França, mesmo tendo sido convidado pela Federação. A pena também afectou a minha vida pessoal porque deixei de poder assistir aos treinos dos meus dois filhos, de 12 e 15 anos, que jogam no Sacavenense e no Oriental. Um dia, no Sacavenense, estava a ver o treino do miúdo e chegaram os fardados para me expulsar. Tive de esperar pelo puto na rua. É muito mau. Felizmente, falei com o meu advogado e como encarregado de educação consegui uma autorização excepcional para presenciar os treinos deles."

"Ainda assim, acredito na eficácia desta medida. Os mais novos vêem-me proibido de entrar no estádio e não arriscam comportamentos violentos para não lhes acontecer o mesmo."

Segundo a PSP, há hoje 21 pessoas proibidas de entrar em recintos desportivos, um número que tem vindo a crescer nas últimas épocas e que pode vir a aumentar mais. Segundo fonte policial, as autoridades encaminharam dezenas de processos para o Instituto Português da Juventude e do Desporto (IPDJ), que regista grandes atrasos na decisão das sanções a aplicar. “É frustrante apanhar o mesmo indivíduo em delito duas ou três vezes sem que nenhuma acção tenha sido tomada”, confessa à O IPDJ alega que “todos os processos se encontram dentro dos prazos legais em que deve decorrer a instrução e decisão”.

A estratégia da PSP tem evoluído muito nos últimos anos, com a Unidade Metropolitana de Informações Desportivas (UMID) e os seus spotters a disporem de sistemas avançados de vi- deovigilância para a identificação de adeptos potencialmente perigosos. O sistema de vídeo consegue registar o conteúdo de uma SMS escrita por um adepto no estádio, há informadores nas claques e agentes disfarçados de vendedores de gelados e queijadas.

@Revista Sabado
Share on Google Plus

Sobre Cortina Verde

Portal de informação diária relacionada com o Sporting Clube de Portugal. Artigos, Reportagens e Exclusivos relacionados com a maior potencia desportiva nacional.

0 comentários: