«Se não fosse médio centro seria extremo» – William Carvalho

Não sabemos qual será a forma ideal de ficar a conhecer melhor um jogador de futebol, mas sabemos bem qual não é: entrevistá-lo. Fazer perguntas a um craque da bola não é um exercício propriamente produtivo e muitas vezes roça o frustrante.


Os clubes, as marcas patrocinadoras ou os agentes restringem, pressionam e condicionam os atletas de vários modos. Assim, não se estranha que as respostas dos jogadores sejam muitas vezes evasivas, outras vezes estudadas, quase sempre repetitivas e quase nunca espontâneas.

Há que ser diplomático, cauteloso e calculista. Há uma imagem e muito dinheiro em jogo. Não pode haver lugar a mal-entendidos nem interpretações erradas. As entrevistas aos futebolistas podem conter tudo exceto risco. E, por isso, acabam por revelar muito pouco.

O nosso jornalista José Morais entrevistou recentemente William Carvalho, jogador e capitão do Sporting, centro-campista da Seleção Nacional e protagonista incontornável dos mercados de transferências.

Alvo frequente de especulações e notícias que não se confirmam, protagonista frequente de transferências milionárias que não se concretizam, William acabou por tornar-se um médio muito defensivo quando o assunto é conversa. É difícil arrancar-lhe afirmações que sejam realmente afirmativas.

Foi por isso que decidimos complementar a nossa sessão de GQuizz com o camisola 14 do Sporting escavando por essa Internet adentro em busca de outras palavras, de outras declarações, de alguns pensamentos, de umas certas dúvidas ou de quaisquer respostas que nos ajudem a conhecer melhor este extraordinário jogador de futebol.

Numa entrevista ao site Mais Futebol de julho de 2016, curiosamente marcada pelo assinalar das restrições impostas (“não podia falar-se sobre o futuro a nível de clubes”, pode ler-se logo na entrada do texto), William revela duas curiosidades:

1) aos 13 anos, recusou assinar pelo Benfica por causa da “paixão pelo Sporting. Sendo sportinguista e sabendo que o Sporting apostava mais nas camadas jovens, achei que entre um clube e outro não havia escolha”;

2) não tem explicação para o seu sportinguismo – respect, William, a verdadeira paixão clubista nunca deve ter explicação -: “Não sei se sou do Sporting pelo meu pai, porque não me lembro de quando comecei a ser do Sporting”, afirmou.

Já numa peça na Caras de agosto de 2016, o futebolista de 24 anos revela que o bigode é fruto de uma promessa que fez antes do Euro 2016 e acrescenta que é para cumprir, independentemente da possibilidade de ficar menos bonito do que ficaria sem bigode. Esta é, sem exageros, a revelação mais digna de nota de toda a entrevista. As restantes poderiam ter sido respondidas por qualquer outro colega de profissão com uma ou outra nuance, nomeadamente no que respeita às pessoas com quem falou ao telefone a seguir a sagrar-se campeão da Europa por Portugal, uma vez que os pais de William são os pais de William e de nenhum outro jogador da “equipa das quinas”.

O canal SportingTV também entrevistou William este mês, há menos de duas semanas. A primeira pergunta é se as entrevistas seriam momentos de tensão para o capitão do Sporting. O jogador sorri, embaraça-se, atrapalha-se um pouco e diz que não. Mas confessa que não está muito habituado a responder a jornalistas.

É talvez numa entrevista à agência de notícias internacional espanhola EFE que o jogador luso-angolano mais se liberta das marcações e dá vida às suas respostas. Por exemplo, enumera as suas referências futebolísticas: “Yaya Touré. Também adorava o Zidane, embora não fosse a minha posição. E outros como Patrick Vieira, Sergio Busquets ou Andrea Pirlo”; revela que tem uma alcunha na Seleção: “Chamam-me ‘Oceano’ pelo bigode que tenho. Foi o Quaresma que me pôs a alcunha”; fala do que pode melhorar: “posso marcar mais golos e melhorar o meu jogo de cabeça. Falta-me finalizar melhor as jogadas por alto”; e descreve-se, enquanto jogador, sem pudores ou falsas modéstias: “tento sempre simplificar, transformar as coisas difíceis em fáceis. Sou como uma bússola e digo: ‘agora a equipa vai à direita, à esquerda’. Ponho o ritmo de jogo“.

Esperamos que esta espécie de adenda ajude os nossos leitores a conhecer um bocadinho melhor o William.

O médio William Carvalho revelou várias aspetos pessoais e ambições no Sporting, em entrevista à revista «GQ».

Quais são os títulos que ambicionas conquistar?

«A Taça de campeão nacional pelo Sporting e a Taça de campeão mundial pela Seleção, porque a Taça de Campeão Europeu já tenho. Faltam-me essas duas.»

Qual o talento natural que gostarias de ter?

«Ser perfeito, mas isso é impossível.»

Qual é o prato que fazes se a fome apertar?

«Omelete mista.»

Se tivesse de escolher um prato para o resto da vida?

«Bacalhau com nata ou omelete.»

Sexo ante do jogo é proibido, mito ou verdade?

«É um mito.»

Qual foi o momento que mais gostaste no Europeu?

«O apito final no jogo contra França.»

Se não jogasse a médio centro qual seria a posição escolhida?

«Extremo. Cristiano põe-te a pau. Cuidado.»

@GQPortugal.pt
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