O Futebol marca as eleições?



Figuras do clube leonino admitem que a época da equipa pode determinar o voto no ato eleitoral marcado para este sábado


As eleições do Sporting, já neste sábado, surgem num momento delicado a nível desportivo, nomeadamente no que diz respeito à equipa de futebol profissional, que nesta época já ficou fora de todas as competições a eliminar e está no terceiro lugar do campeonato, a dez pontos do líder, o Benfica, e a nove do segundo classificado, o FC Porto. É neste cenário que os sócios leoninos vão ter de escolher entre a reeleição de Bruno de Carvalho e o candidato Pedro Madeira Rodrigues para ser o presidente que irá liderar os destinos do clube nos próximos quatro anos.

Os sportinguistas ouvidos pelo DN admitem que o atual cenário desportivo poderá ter alguma influência no resultado das eleições do próximo sábado, embora o antigo capitão Oceano Cruz lembre que "há sócios que vão decidir em quem votar com a razão e outros com a emoção" e, nesse sentido, "é muito difícil avaliar" se os resultados da equipa terão influência no sentido de voto. "Para mim, mais do que a carreira da equipa de futebol, que obviamente é importante, é preciso votar tendo por base os projetos que são apresentados por cada um dos candidatos... mas quando se fala de futebol é difícil para as pessoas abstraírem-se do sentimento e como sabemos os sócios do Sporting amam o seu clube", sublinhou.

Os antigos dirigentes Paulo de Andrade e Sérgio Abrantes Mendes têm uma visão própria de quem já esteve em antigas batalhas eleitorais em Alvalade. E, apesar de apoiarem candidatos diferentes nas atuais eleições, concordam que o aspeto desportivo terá a sua influência na decisão dos associados com direito a voto. Aliás, Paulo de Andrade diz mesmo que se a equipa de futebol estivesse na liderança do campeonato, tal como estava à 23.ª jornada da época passada, "não teria surgido outro candidato às eleições". Ou seja, o atual presidente seria candidato único.

Sérgio Abrantes Mendes assume que os resultados desportivos "têm sempre alguma influência no sentido de voto, pois um conjunto de desaires no futebol, mas também nas modalidades, pode levar à conclusão de que algo não está bem estruturado e organizado", razão pela qual, admite, "alguns sócios podem revelar o seu descontentamento nas urnas, impondo a sua vontade de mudança". E nesse sentido defende que "as opções que foram tomadas e os treinadores que foram escolhidos" podem ter peso na decisão final.

Jorge Jesus sob escrutínio

É precisamente a questão dos treinadores que Paulo de Andrade levanta quando aborda este tema da influência dos resultados do futebol no ato eleitoral. O antigo dirigente sugere que "o candidato Pedro Madeira Rodrigues colocou o treinador Jorge Jesus no centro do debate para as eleições", por isso, "quer se queira quer não, Jesus estará também sob escrutínio". "São aqueles que não querem o atual treinador no Sporting que se sentirão tentados a não votar no atual presidente", frisou, admitindo por isso que "a componente desportiva está em cima da mesa e será importante na decisão eleitoral".

Abrantes Mendes prefere não dar assim tanto peso à questão do treinador, pois "é uma situação que só por si não constitui fator único para que os sócios decidam pela mudança", ainda assim admite que "pode ter algum peso, sendo conjugado com outros fatores". Isto porque em sua opinião "há sempre um conjunto de situações que têm influência no sentido de voto".

Sérgio Abrantes Mendes liderou a mesa da Assembleia Geral na presidência de Jorge Gonçalves e recorda que nessa altura os jogadores eram apresentados como trunfos. "Eram as unhas do leão, o Carlos Manuel, o Silas... mas hoje as pessoas já veem as coisas de outra forma, até porque há mais contenção financeira e não é possível apresentar esse tipo de trunfos eleitorais", sublinhou.

Quem não atribui grande importância à componente desportiva é Carlos Xavier. O antigo futebolista e capitão do Sporting considera que, "independentemente do atraso pontual e de a temporada estar praticamente arrumada, os sócios já têm a sua opção de voto tomada", pelo que considera que a má época da equipa "não terá qualquer influência no vencedor das eleições". "Já toda a gente está a pensar na próxima época e há pessoas que estão contentes com Jorge Jesus", assume, acrescentando que os pontos que estarão em avaliação nas eleições têm que ver com "a mudança de pensamento em relação à próxima época" e "como será possível melhorar as coisas que correram menos bem".

No próximo sábado, os sócios do Sporting terão a palavra final e, como fez questão de dizer Oceano, "quando forem conhecidos os resultados, vamos todos ficar a saber aquilo que os sportinguistas querem e se a questão desportiva teve peso ou não nos votos expressos na urnas".

Uma coisa é certa, as eleições de sábado vão eleger Bruno de Carvalho ou Pedro Madeira Rodrigues como presidente do Sporting para os próximos quatro anos. Mas, por outro lado, poderá também servir de barómetro para o nível de contentamento em relação ao trabalho desenvolvido por Jorge Jesus, tendo em conta as expectativas que foram criadas. E é em contraponto que surge como alternativa, apresentada por Madeira Rodrigues, o treinador espanhol Juande Ramos. Resta saber se este é um nome capaz de capitalizar votos dos sportinguistas.

JOSÉ COELHO/LUSA
@DN.PT

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