Peter Houtman, ex-avançado, não hesita em declarar que o 28 do Sporting merece lugar no onze da seleção da Holanda
É com desassombro, mas com o desapontamento assumido na sua plenitude, que Peter Houtman, ex-avançado do Sporting em 1986/87 e 1987/88 e internacional holandês, avalia o atual momento da seleção que, dos últimos anos à atualidade, não tem conseguido legitimar o cognome de Laranja Mecânica.
Sem encontrar grandes motivos que expliquem uma quebra tão acentuada no rendimento da equipa nacional holandesa, Houtman não hesita em considerar que Bas Dost justifica inquestionavelmente a titularidade na seleção e não entende, sequer, que o tema mereça qualquer discussão.
"Ele está a jogar muito bem, está a fazer golos, está na corrida pela Bota de Ouro. Está num grande momento de forma e a Holanda, mais do que nunca, precisa dos melhores jogadores. Agora, neste momento, o Bas Dost é o melhor e é preciso aproveitar ao máximo o seu momento de forma", defendeu Peter Houtman em declarações a O JOGO, mesmo admitindo que o avançado do Sporting pode não ser tão forte em determinadas vertentes que outros aríetes holandeses: "Pode não ser um primor de técnica, não podemos esperar um drible fenomenal, ou uma arrancada em que tira cinco adversários do caminho e finaliza, mas é muito forte no jogo aéreo, no posicionamento e é letal a concretizar." "Aliás, isso mesmo ficou demonstrado neste último jogo, com a Bulgária: ele praticamente só teve uma oportunidade e só não marcou por muito pouco. É isso que a Holanda tem de aproveitar e não está a conseguir", avaliou o ex-avançado leonino antes de passar a analisar o que suscita a diferença de rendimento de Bas Dost no Sporting e na seleção: "O que muda? A equipa. O Sporting consegue criar cinco, seis, sete ocasiões para ele marcar por jogo. Com a Bulgária, como já disse, teve só uma. A Holanda jogou muito mal, foi muito fraca."
Sem esconder algum embaraço pelo atual momento da equipa nacional, o ex-internacional holandês defende que a diferença no rendimento do goleador no Sporting e na seleção está... na equipa
É nesta fase da conversa mantida com O JOGO que Peter Houtman não resiste a assumir o desencanto de toda uma nação futebolística. "Este é um dos momentos mais negros da seleção. Estamos habituados a estar no topo e a discutir a chegada às finais, mas agora nem os apuramentos conseguimos. É incompreensível, estamos muitos desapontados e desanimados com a seleção", desabafa o ex-avançado, que marcou quatro golos nos 18 jogos disputados em cada uma das temporadas em que jogou de leão ao peito. Mas Houtman não desarma e defende a continuidade de Bas Dost no onze no amigável desta noite, em Amesterdão, com a Itália. "Claro, ele deve jogar, deve ter essa oportunidade para voltar a marcar pela seleção. Ele está numa forma fantástica, marca todas as semanas pelo Sporting, é o homem do momento", defendeu o veterano Peter Houtman.
Fred Grim, adjunto de Danny Blind que assumiu interinamente a seleção após o despedimento do técnico consequente à derrota com a Bulgária, terá de escolher para o ataque entre Bas Dost, Luuk de Jong (Feyenoord) e o recuperado Vincent Janssen (Tottenham).
Por Mário Duarte\Jornal OJOGO
Fotografia: PEDRO_ROCHA
