Os nove ‘goals’ de Peyroteo que deram expressão a dois recordes em Portugal

Nove golos de Fernando Peyroteo e uma vitória do Sporting sobre o Leça por 14-0 conjugaram-se numa tarde de futebol de há 75 anos e ainda hoje são recordes na primeira divisão portuguesa.


A 22 de fevereiro de 1942, um domingo, os ‘leões’ receberam os leceiros no antigo Campo do Lumiar, na sexta jornada do campeonato da primeira divisão, e estabeleceram uma marca inigualada que cumpre três quartos de século na quarta-feira.

Para este desfecho muito contribuíram os nove tentos anotados por Peyroteo. Nessa tarde, aquele que é um dos maiores nomes da história do Sporting, e que tinha então 24 anos, tornou-se o futebolista a marcar mais golos num só jogo.

“O Sporting marcou pela medida grande”, titulava no dia seguinte o jornal desportivo Os Sports, dando especial destaque ao volumoso resultado dos ‘verdes e brancos’, mas também ao feito do internacional luso: “Dos 14 ‘goals’ sofridos pelo Leça, 9 pertenceram a Peyroteo”.

À entrada para sexta ronda, até então a mais profícua em golos na prova, o Sporting dividia a liderança com Benfica, Académica e Barreirense, enquanto o Leça era sétimo, com os mesmos pontos do FC Porto.

O conjunto ‘leonino’, comandado pelo húngaro Joseph Szabo, fez alinhar Azevedo, Araújo, Cardoso, Paciência, Daniel, Marques, Mourão, Soeiro, Peyroteo, Canário e Cruz, enquanto a formação de Leça da Palmeira entrou em campo com Jaguaré, Godinho, Valdemar, Juca, Elísio, Lino, Chelas, Nini, Lúcio, Quecas e Joaquim.

Num campo “em mau estado”, com “água e lama”, devido à “chuva que caiu quase sempre”, segundo escreveu o jornalista Alberto Freitas na crónica do Os Sports, os ‘leões’ deram poucas hipóteses e, aos 10 minutos, já venciam por 3-0, com um golo de Soeiro e dois de Peyroteo.

Os mesmos jogadores voltariam a fazer o ‘gosto ao pé’ no primeiro tempo, levando os sportinguistas com seis golos à maior para o intervalo, ainda que a vantagem pudesse ter sido mais dilatada, não houvesse um “’goal’ de Peyroteo recusado pelo árbitro e uma avançada de João Cruz em que um leceiro incorreu em ‘penalty’, mas sem sofrer castigo”.

Para a etapa complementar estavam reservados mais oito golos, cinco dos quais da autoria de Peyroteo. O avançado marcou aos 47, 49 e 65 minutos, antes de Daniel, aos 65, alcançar a dezena de tentos para o Sporting. Canário, Peyroteo e Cardoso continuaram a dar expressão ao marcador, sendo que, no último minuto, o melhor marcador da história do Sporting (526 golos em 325 encontros) apontou o nono da conta pessoal e fechou as contas de um jogo que ficou para a história do futebol nacional.

“Uma partida em que uma das equipas acaba vencedora com catorze tentos tem pouca história. O resultado encerra tudo. Não há palavras que digam melhor o que foi o desafio”, escreveu Alberto Freitas.

Com este resultado, aliado à derrota do Benfica na visita ao FC Porto e ao empate do Barreirense em Guimarães, o Sporting fechou a jornada na liderança, com os mesmos 10 pontos da Académica, ao passo que o Leça, mesmo ‘atropelado’ no Lumiar, manteve o sétimo posto.

No final dessa época, o Benfica sagrar-se-ia campeão nacional, com mais quatro pontos do que o Sporting, que, por seu lado, foi a equipa mais concretizadora da competição, com 93 tentos. Fernando Peyroteo foi o segundo melhor marcador do campeonato, com 28 golos, atrás de Correia Dias, do FC Porto (36).

@Agência Lusa
@DNoticias.pt
Share on Google Plus

Sobre Smile Brain

Portal de informação diária relacionada com o Sporting Clube de Portugal. Artigos, Reportagens e Exclusivos relacionados com a maior potencia desportiva nacional.