Mário Marques: «Fica para a vida, como a paixão pelo Sporting»

Recorda golo fantástico no Estádio das Antas que colocou os leões na final da Taça de Portugal, em 1986/87


Antigo médio brasileiro, hoje com 59 anos, recorda golo fantástico no Estádio das Antas, que colocou os leões na final da Taça de Portugal, em 1986/87. "O Sporting deveria estar melhor" mas ainda acredita no título.

RECORD: Em 1987 marcou o golo com que o Sporting afastou o FC Porto das meias-finais da Taça de Portugal, nas Antas. Passados 30 anos, como revê aquele momento?

MÁRIO – É um golo que não se esquece! Em dezembro de 2015 fui passar o Natal a Portugal com o meu filho e encontrei-me com adeptos da Força Verde que estavam no estádio naquela altura. O Paulo Alcobia Neves, um dos fundadores dessa claque [extinta], organizou-me um jantar de homenagem. Lembro-me muito daquele momento. Foi um golo meu, que eliminou e deu a vitória...

R: No último minuto do prolongamento.

M – O Estádio das Antas estava em obras. No final houve tumultos. Foram arremessadas muitas pedras. Um dirigente do FC Porto, Reinaldo Teles, ajudou-me a sair de campo. Foi muito difícil. Mas o jogo em si foi emocionante. O FC Porto teve tudo para ganhar, nós tivemos as nossas oportunidades e no prolongamento fui feliz e consegui fazer aquele golo. É uma imagem que não desaparece e um jogo que vai marcar-me para sempre.

R: Duas semanas depois, o FC Porto conquistou a Taça dos Campeões Europeus.

M – Sim! Não ganhámos a uma equipa qualquer. Apesar de não ter sido para o campeonato e de termos perdido a final [no Jamor com o Benfica], isso ninguém me tira! Fica para a vida, como a paixão pelo Sporting.

R: Voltando ao golo, quando rematou percebeu que Mlynarczyk não estava entre os postes?

M – Ele não estava adiantado. Simplesmente, eu ganhei espaço e ele foi obrigado a sair um pouco para fechar o ângulo. Como rematei com a parte de fora do pé [esquerdo], a bola foi ganhando efeito para o lado contrário dele e entrou ao canto direito da baliza. Mesmo que fossem dois ou três provavelmente não defenderiam. Não é por ter sido eu, mas seria difícil a qualquer guarda-redes parar aquela bola. Está entre os melhores golos da minha carreira.

R: Defrontou o FC Porto, pelo Sporting, em mais dois jogos, ambos da Liga, nesse ano de 1987. Que memórias guarda?

M – Quando perdemos nas Antas [0-2], vínhamos de uma derrota com o Barcelona [0-1, Taça UEFA]. Foi muito desgastante. Em Alvalade ganhámos [2-0]. Eu bati uma bola e o Peter [Houtman] fez golo. O Frasco foi expulso. Os adeptos do Sporting mostraram lenços brancos ao FC Porto, porque eles praticamente deixaram de ter hipóteses de serem campeões.

R: Para lá dos duelos com o FC Porto, que mais fica da passagem pelo Sporting?

M –O 7-1 ao Benfica; não entrei mas deu tudo certo. Depois, a conquista da Supertaça; joguei na Luz e em Alvalade. E vitória sobre o Akranes, na Islândia [9-0], que julgo ainda ser recorde [maior goleada de equipas portuguesas em jogos da UEFA fora de casa].

R: O clássico deste sábado tem importância decisiva para o Sporting. Ainda acredita no título?

M – É uma oportunidade de encurtar distâncias e impedir a equipa de se desmotivar. Está a ser um ano mau. Um clássico como este é vital. Conheço a equipa e acredito que tem condições para lutar pelo título. Perdeu o Slimani, mas a maioria do grupo ficou. O Sporting deveria estar melhor, essa é a realidade. Mas o futebol não tem receita certa. E pode haver uma reviravolta. Só depende deles, dentro do campo. Têm tudo para isso.

R: O que pensa de Jorge Jesus?

M – Não tem nada a provar.

R: Depois de sair do Sporting, representou o Estrela da Amadora, em 1988/89. Por que razão fez apenas nove jogos?

M – Um deles foi com o FC Porto. Empatámos [2-2] na Reboleira. Tive um problema que hoje seria fácil de curar mas que naquela época era desconhecido: pubalgia. Tinha mais um ano de contrato mas preferi rescindir e voltar ao Brasil.

R: Segue a Liga portuguesa?

M – Acompanho sempre e vou a Portugal quando posso. Sou filho de portugueses e o único brasileiro de uma família de cinco! Tenho parentes em Oeiras. Os pais da minha mulher, Eliane, são de Oliveira de Azeméis. O meu filho, Mário Marques Coelho Júnior, joga no Lusitano [VRSA], do Algarve; o treinador é o Ricardo Sousa.

R: Admite vir a treinar no nosso país?

M – Tive convites antes. Se aparecer, quem sabe? Estamos a pensar trabalhar ou mudar de vez para Portugal.

R: Mantém contacto com antigos companheiros de equipa no Sporting, de 1986 a 1988?

M – Falo com a maioria. O Oceano é muito meu amigo. Como esquecer o Damas? É impossível! O prazer que eu tive de jogar com o Vítor Damas! Eu quando saí do Brasil fui para um clube jogar com o Vítor Damas! Havia Venâncio, Morato, Fernando Mendes, Gabriel, Mário Jorge, Carlos Xavier, Virgílio, Manuel Fernandes, Ralph Meade, Silvinho, João Luís, Marlon, Duílio, Litos, Rui Correia...

R: Virgílio e Manuel Fernandes estão na estrutura dirigente do Sporting, hoje .

M – Sim... Fui conhecer a Academia. Estive em Alcochete, joguei pelos veteranos do Sporting, na Malveira, assisti ao jogo com o Besiktas em Alvalade.

R: Continua no Bangu?

M – Estive três anos como treinador. Agora estou a fazer uma pausa. Sou o coordenador de futebol e o Eduardo Allax está com a equipa.

Autor: Vítor Almeida Gonçalves
@Record.pt

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