Debate: Da saída limpinha de Jesus aos milhões feitos pela atual direção

Pedro Madeira Rodrigues e Bruno de Carvalho discutiram programas, fizeram acusações, pouco levantaram a voz e mostraram as diferenças, com o futebol em maior destaque




Olhando para os candidatos, parecia que estavam ambos, para utilizar uma palavra muito em voga, com o guião contrário ao seu perfil. Pedro Madeira Rodrigues mais agressivo verbalmente, aproveitando o debate na Sporting TV para jogar uma cartada, Bruno de Carvalho contido e tendo, talvez estrategicamente, uma postura calma.

Jorge Jesus, como não podia deixar de ser, foi um dos temas fortes. Madeira Rodrigues voltou a não perdoar ao treinador por ter apoiado o atual presidente e deixou uma garantia com uma novidade. "Jorge Jesus foi convidado e ao ceder afastou-se de mim. Se não se afastar por si próprio, a saída de Jesus vai ser limpinha, limpinha. Quem percebe de leis saberá que eu tenho aqui uns trunfos. Mas ele vai sair, temos amigos mútuos e sei que ele se vai afastar quando eu ganhar", revelou Madeira Rodrigues, que não despedirá Carlos Lopes e Aurélio Pereira "porque são referências do clube e Jesus não é referência nenhuma".

Para o atual presidente esta situação desestabiliza a equipa de futebol: "Isto é péssimo, de uma desestabilização total... agora diz que apresenta o treinador para a semana. Era o tipo de campanha que se fazia há uns anos que já não tem interesse nenhum. O senhor disse num restaurante a Jorge Jesus quando o encontrou que ele era o melhor treinador do mundo."

Confrontado com os elogios a Jesus de Laszlo Bölöni, diretor desportivo se for eleito dia 4, Madeira Rodrigues realçou que o romeno concorda que o treinador que escolheu "é muito melhor do que Jesus".

Na sua lista, Pedro Madeira Rodrigues tem elementos como Vítor Ferreira (vice para a direção), Rui Morgado (presidente da AG) e Ricardo Pina Cabral (gestor de talentos) que pertenceram à equipa de Bruno de Carvalho e que gradualmente se afastaram. Aí foi a vez de o atual presidente atacar: "Vítor Ferreira foi afastado da direção e da SAD. Há atas que provam isso. Se foi por unanimidade... Rui Morgado desde o primeiro dia que se comportou de uma forma absolutamente descabida. Tinha reclamações de terceiros, de adversários, de convidados, de membros de órgãos sociais. Usava sempre palavras muito agressivas. Pina Cabral... o nosso afastamento deu-se quando ele pediu na altura em que contratámos o Montero para dar 10% do passe a um agente e eu recusei."

Bruno de Carvalho acusou Pedro Madeira Rodrigues de ter um programa "pobrezinho" e atirou-se a Delfim, team manager caso o seu rival seja eleito. "O Delfim tem um processo contra o Sporting. Lembrou-se dez anos depois que teve uma lesão incapacitadora. Pode dizer que o processo não é contra o Sporting, mas é porque os prémios da seguradora são agravados."

Bruno de Carvalho invocou números, muitos números como a média de "3,94% pagos em comissões" e o saldo positivo de vendas e de compras de "82 milhões de euros" para mostrar que o seu trabalho no clube foi positivo, dando como facto consumado ter feito "a primeira, a segunda, a quarta e a décima maiores vendas" da história do Sporting e que a "maior transferência de um jogador português de um clube português [ndr. João Mário]" foi feito pela sua equipa.

Já Pedro Madeira Rodrigues garantiu que na conversa que manteve com os investidores árabes, estes consideram, feita a análise, que "as contas estão a descambar". E acentuou que os investidores não serão para entrar na SAD mas sim "para pagar o naming da Academia".

Aí, Bruno de Carvalho tornou a responder com números e o aumento de sócios de "95 mil para 152 mil sócios", bem como a diminuição do passivo em "88 milhões". O presidente em funções falou muito em know how e que isso levará os sócios a escolher.

No seu ataque final, Madeira Rodrigues, que garantiu não se recandidatar se não for campeão "nos próximos quatro anos", diz que se instalou uma "cultura de medo e de mentira" em Alvalade e falou em números "martelados" nas assistências. Tentou provocar uma reação de Bruno de Carvalho e para mais quando falou da atual estratégia de comunicação: "Temos que largar o rival, vamos falar do Sporting. Não vou ser aquele presidente que quer sempre aparecer. O eu, o eu, o eu." E aí surgiu uma revelação... por parte de Bruno de Carvalho: "Espero que nos próximos quatro anos me possa resguardar mais."

Bruno de Carvalho referiu que Madeira Rodrigues lançou "suspeitas" e atirou-se à forma como o candidato se tem imiscuído na sua vida familiar:"Gostava só de frisar às pessoas a quantidade de vezes que Madeira Rodrigues falou da família." Este último, corrigiu, queria era falar da vida profissional. "Nunca na minha vida disse que era melhor presidente do Sporting por ter estabilidade familiar . Não quero acreditar que Bruno de Carvalho recebia 10 ou 15 vezes menos do que recebe agora, não acredito que fizesse isso ao Sporting", explicou Madeira Rodrigues.

Pedro Rocha/Global Imagens
@DN.PT

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