Beto: "Desistir nunca. Um leão não desiste do título"

A comandar os juniores do Cova da Piedade, o ex-internacional quebrou o silêncio a O JOGO e passou por todos os temas, com paragem em Alvalade. Ali, ainda tem sonhos, muitos outros cumpridos depois


Diz o próprio que há um Beto para lá do Sporting. O que tem o "bichinho" do jogo e se faz treinador. Contudo, o desejo maior do ex-central, que se fez internacional e capitão e já foi diretor de relações públicas e internacionais dos leões, é voltar a casa. Ou seja, pode haver um Beto... no intervalo do Beto do Sporting.

Está no início da carreira como treinador. Estava nos seus planos? É que passou de jogador a dirigente, o que é pouco vulgar...


-É engraçado. Nunca pensei, quando jogava, um dia ser treinador. Até era daqueles que diziam que quando acabasse, iria fazer outra coisa. Mas a verdade é que ficam o bichinho, o amor e a paixão pelo jogo. Fui para o dirigismo, uma experiência muito válida, que me deu imensa bagagem, mas senti falta da adrenalina da competição, o dia a dia do treino, o convívio no balneário - as pequenas rotinas. Quando se acaba de jogar, sofre-se muito. Há um vazio enorme e é preciso preenchê-lo com projetos. Senti que precisava de ser útil para o futebol. Quando era dirigente, sentia falta do resto... do cheiro da relva.

Então chegou à conclusão de que é um homem do campo?

-Acima de tudo... Ganhei paixão pelo treino, por estar do outro lado... o lado que criticava enquanto jogador. Às vezes criticava, refilava e discordava do treinador [risos]. Agora, os meus meninos, como lhes chamo, podem não concordar comigo. Aliás, gosto de jogadores aziados: mostram uma insatisfação que pode ser salutar. Esta paixão pelo treino surgiu há três anos. Fui-me formando e quero aprender mais.

Começar por baixo foi algo planeado?

-Fiz questão disso. Atingi um certo patamar como profissional, mas isso não faz logo de mim bom treinador. Quis começar pela base. Tirei o segundo e o terceiro nível e tenho aprendido bastante. Até damos nomes às coisas que não dávamos como jogadores: metodologias e afins [risos]. Não quero chegar a um clube por ter sido o que fui como jogador; quero chegar lá fruto de um trabalho desenvolvido no banco. Vou dar tudo de mim.

Habituou-se aos grandes palcos enquanto atleta. Espera um dia orientar o "seu" Sporting?

-Tenho essa ambição e vou trabalhar para isso, mas passo a passo - tenho muito a evoluir. Quanto ao Sporting... se já o queria representar enquanto atleta e consegui, seria cínico dizer agora que, enquanto treinador, não tenho essa mesma ambição. Claro que gostaria de um dia treinar o meu clube, mas não posso ter isso como ponto de partida, mas sim de chegada. A minha ambição existe, mas é controlada. Para atingir o topo, é preciso ter esse aspeto sob controlo. Agora estou a aprender com estes miúdos.

Mas quais os seus objetivos a curto prazo?

-Já tive várias solicitações, mas ficarei na formação até me aparecer um projeto sénior. O meu objetivo para já é treinar uma equipa profissional, aqui ou fora do país.

Fotografia: Gerardo Santos
Filipe Alexandre Dias\Jornal OJOGO
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