João Benedito pede adiamento do acto eleitoral e explica porquê.



 

Gestor de 38 anos retira-se da cena eleitoral atual, mas reserva papel principal para uma futura e como cabeça de lista. 


Sem uma só crítica à gestão corrente, o ex-futsalista assume-se já como consciência leonina. Tem estado em silêncio.

Porquê falar agora? 

Muitas pessoas têm-me considerado potencial candidato à presidência. Fico feliz por isso e por quererem saber a minha opinião. Estou sempre disponível para falar sobre o Sporting. Em relação ao meu avanço como candidato à presidência, não é a altura. Tinha esta temporada para não falar sobre assuntos e temáticas sensíveis para não dividir. Decidi falar agora porque vivemos um período desportivo atribulado. Foram feitos investimentos para se conquistarem títulos e andamos a apontar armas uns aos outros, preocupados com eleições, tendo por uma base algo que neste momento não traz paz: resultados desportivos. É preciso ver com mais abrangência. Este período pré-eleitoral prejudica claramente os objetivos desportivos e passei à convicção de que o presidente da Mesa da Assembleia Geral tem de ponderar adiar este ato eleitoral. Os estatutos preveem que o ato eleitoral se realize entre março e abril, mas o adiantamento não é explícito. Portanto, a equipa, os jogadores, os órgãos sociais, sócios e adeptos têm de estar em uníssono em prol dos objetivos do clube e o melhor é não haver este clima de guerrilha. Posteriormente às eleições, as feridas vão-se manter. Se as eleições são um problema, que passem para o final da época. Os jogadores e treinadores estão de férias, muitos deles fora do país; os dirigentes estão a pensar nesse ato eleitoral e os sócios e adeptos não estão toldados pelo momento atual. Foi por isto que quebrei o silêncio, para ajudar o Sporting a ter o rumo certo. Antes de 2011, as eleições eram marcadas para entre maio e junho, o que foi alterado estatutariamente. Mal estaríamos se as épocas desportivas fossem preparadas um ou dois meses antes. Temos treinador, os melhores jogadores têm contrato e há poucos ajustamentos a fazer. Nada nos impede, a não ser a vontade. Quem se preocupa com o Sporting quererá que o ato passe para mais à frente.

Em caso de adiamento dessas eleições, avançaria?

Não me passa pela cabeça ser candidato neste ato eleitoral. Devo ao Sporting o meu silêncio. Não seria leal passar de dentro do campo para candidato à presidência. Digo-o por ideologia e por uma educação dada pelo próprio Sporting. Durante um ano deixar de estar ligado à vida do clube em termos sociais.

Mas pode fazer parte de alguma candidatura?

Não vou estar presente nestas eleições. Não vou opinar e condicionar. Sem falsas modéstias, a minha opinião pesa e pode dividir. Agora, a minha preocupação é dar paz. Isso passa por esquecer este ato eleitoral.

Ser candidato um dia, mas não nestas eleições, será incontornável? 

Quero muito, porque acho... acho é pouco ambicioso. Creio que tenho muito a dar ao clube. Estive dentro de campo, sei o que se passa lá. O Sporting até agora teve dois presidentes [Salazar Carreira e Oliveira Duarte] que foram atletas, trabalhei no clube no departamento financeiro. Passei para o marketing, fiz contratos de publicidade, de patrocínio, vendi camarotes. Conheço tudo o que se passa na estrutura do Sporting. Posso ser presidente.

Porquê o apelo a cinco dias do prazo de entrega das candidaturas?

Porque ainda há tempo e esperava que alguém tivesse esta lucidez. É importante não expor o clube. [Contra o Paços] Ganhávamos 3-0 e quase de um momento para o outro sofremos dois golos...

A equipa abana ao primeiro sopro? 

Não, há uma condição psicológica potenciada por este clima. Temos, até às eleições, idas ao Moreirense, Estoril e FC Porto. No fim de semana das eleições, se acontece algo mau em casa contra o V. Guimarães, as pessoas vão estar toldadas pelo resultado e votam por revolta e não em consciência.

Espera ver atendido o seu repto? 

É a minha convicção. Defendo as candidaturas porque vão ser avaliadas pelo momento desportivo e não pelo que fazem. Preocupa-me proteger as equipas. Em abril temos Braga e Benfica. Dentro do balneário, as pessoas são mais inteligentes. Muitos são da formação, são sportinguistas e preocupam-se com o futuro do clube.

Por Jornal OJOGO
Filipe Alexandre Dias/João Sanches 
Fotografia: Álvaro Isidoro/Global Imagens
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