«Não votar em Bruno de Carvalho seria acto de ingratidão» Por José Manuel Saraiva


Texto de José Manuel Saraiva


Há quatro anos o Sporting Clube de Portugal vivia a maior crise da sua história.

O património imobiliário fora delapidado de forma pouco transparente; o passivo da SAD cavalgava em cada ano largas dezenas de milhões de euros; dos principais activos – passes de jogadores de futebol, possuía apenas uma pequeníssima percentagem e o seu valor de mercado era reduzidíssimo – vendia-se pouco e mal. No campeonato das transferências estava a léguas do outro Sporting (o de Braga), em suma, o clube definhava, agonizava, transmitindo uma imagem de penúria, impotência e desolação que contagiava os adeptos, afastando-os do seu lar desportivo.

O presidente de então, por acção ou omissão, protagonizou algumas das cenas que mais envergonharam a nação Sportinguista: entrou numa troca de mimos com o presidente do clube minhoto, onde os dois pediam meças sobre a grandeza do respectivo clube e deu palco institucional aos orquestradores do caso Cardinal. Este era o cenário de um grande clube em falência financeira e anímica.

E os adversários rejubilavam! Havia quem fizesse contas ao quinhão que lhe caberia na herança da massa adepta com orfandade anunciada. E ao júbilo acrescentavam cínicas lamentações e comentários complacentes sobre a falta que um Sporting forte fazia ao panorama desportivo nacional.
Pela coragem e determinação de homens como Eduardo Barroso e Daniel Sampaio, entre outros, em Março de 2013 chegaram as eleições, nunca antes tão decisivas na determinação do rumo deste grande clube.

Confesso que não votei em Bruno de carvalho, nem em 2011, nem em 2013. A sua eventual eleição parecia demasiado arriscada para uma instituição moribunda. Dias Ferreira e José Couceiro, pareceram-se soluções mais sensatas, quer pela experiência, quer pela aparente postura perante a vida.
Concluído o acto eleitoral, a vitória de Bruno de Carvalho deixou-me desconfiado e intranquilo, não sabia se seria marinheiro para nau de tamanho porte. Contudo, uma vez eleito seria o meu Presidente! Como todos os que lhe antecederam.

E num ápice: a reestruturação financeira foi concluída, os Sportinguistas agregaram-se e uniram-se num entusiasmo revigorado, os resultados desportivos – sobretudo no futebol começaram a aparecer (entrada directa na liga dos campeões no primeiro ano, taça de Portugal no segundo, supertaça e record de pontos em 109 anos de história no terceiro) – sejamos francos: considerando o ponto de partida dificilmente poderia ser melhor.
Mas apareceram também outras coisas: contas equilibradas, enorme incremento no número de associados, sucessivos recordes de assistência num estádio que conta com treze anos de idade, aumento do número e nível competitivo das modalidades, negócios leoninos com operadoras televisivas, transferências de jogadores de futebol por montantes que só se praticam entre os maiores clubes do mundo, a Sporting TV, melhoramentos das infra-estruturas da academia, o ansiado pavilhão e cimentando tudo isto – O MUNDO SABE QUE. E este património – o mundo sabe que, só as 50 mil vozes que o entoam em Alvalade de cachecóis levantados percepcionam verdadeiramente o que representa.

E ainda outras: os rivais que carpiam a nossa desolação e nos amofinavam com a sua fanfarronice passaram a ter temor, o espaço que era de dois passou a ser disputado por três, sem tréguas.

No contexto do futebol português (ou desporto em geral) em que tudo obedece à lógica da reverência ao padrinho siciliano que circunstancialmente domina, tal manifestação de força foi um ultraje. E acto contínuo, o pseudo-ultrajado movimentando os tentáculos do polvo inseridos nas instâncias federativas, nas redacções e estações de comunicação social urdiu o maior ataque sistemático e organizado perpetrado até hoje a uma instituição e ao seu legitimo representante. A simples existência desse ataque justifica o desassossego que o novo Sporting lhes causa.

Bruno de Carvalho fez tudo bem feito? Não. Frequentemente, não discordando do conteúdo, discordo da sua postura na introdução na agenda desportiva de micro causas. Não concordei da forma como foi tratada a substituição de Marco Silva nem do critério que norteia a contratação de muitos jogadores de futebol, só para dar alguns exemplos.

Porém, no final de um mandato o que importa é o balanço; e este é francamente positivo.
Não hostilizarei qualquer candidato, num clube secular todos os seus membros e perspectivas cabem no seu inventário.

Face ao que antecede, não votar em Bruno de Carvalho seria antes de mais um acto de ingratidão. Depois, já no domínio da crença, acredito que a desactivação do poder da camorra não se conquista num mandato. Assim foi com os líderes dos nossos principais adversários.
Que ninguém se engane, até ao dia 4 de Março, numa guerra sem quartel, o nosso principal adversário redobrará esforços no plantio de todo o género de obstáculos que dificultem a caminhada do SCP.

Contra isso, é cerrar fileiras, e como diz o outro: seguir de pé à frente e à cabeçada até arrebentar com quem nos quer destruir.

Por mim farei a minha parte, o contributo maior será porventura o voto em Bruno de Carvalho.

Texto de autoria de José Manuel Saraiva
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