"O sistema de três centrais deixou água na boca" - Mário Jorge

Coates e Rúben Semedo podem ter um novo colega no centro da defesa leonina


Mário Jorge e Carlos Xavier, laterais ofensivos da última vez que os leões jogaram com um trio na defesa, aprovam a ideia de Jesus

Os números não mentem apesar de o futebol ter mudado bastante de 1984 até aos dias de hoje. A temporada em que o Sporting registou melhor média de golos - 2,33 - desde 1962 foi, precisamente, em 1984-85, marcada por uma inovação; os leões alinhavam com três centrais, o que obrigou, na altura, o treinador galês do clube de Alvalade John Toshack a explicar que não eram cinco defesas mas sim apenas três, porque não considerava os laterais como elementos do setor mais recuado.

O DN, a propósito de Jorge Jesus ter utilizado o sistema de três centrais, em Dortmund, falou com os laterais da altura, Carlos Xavier e Mário Jorge.

"Eu adorava, só jogava para a frente", realça Carlos Xavier que, assume, "gostava" que Jesus mantivesse o sistema no domingo com o Arouca.

"A verdade é que nós não estávamos habituados, mas a partir do momento em que jogávamos constantemente ao ataque era uma maravilha. Havia um grande volume de jogo ofensivo em que podíamos sofrer um ou dois golos mas, quando isso acontecia, marcávamos cinco ou seis", esclarece Xavier que depois acompanhou Toshack para a Real Sociedad.

Mário Jorge tem uma visão um bocadinho menos otimista mas consegue visualizar as virtudes deste sistema: "Confesso que fiquei com alguma água na boca, mas não sei se Jesus vai manter esse sistema. Tenho para mim que o pode utilizar pontualmente, por exemplo diante de equipas com outro poderio. Este é um sistema que resultou muito bem em Dortmund, onde só faltou alguma sorte, mas precisa de ser muito bem trabalhado, nomeadamente a transição defensiva. Tenho algumas dificuldades em imaginar este sistema nas provas internas mas vamos ver com o Arouca", refere Mário Jorge que identifica uma das razões pelas quais o sistema de três defesas pode não vingar: "Quando o adversário joga com extremos bem abertos isso condicionava a progressão dos laterais, que é uma das vantagens deste sistema. Por outro lado, penso que o facto de o Sporting ter laterais que não são defesas de raiz pode ajudar e até gostei bastante do Marvin Zeegelaar. Ele é holandês e deve estar identificado. O próprio Jesus, como se sabe, é um grande admirador do futebol holandês e em especial do Johan Cruijff que jogava com três defesas. Ele próprio experimentou-o há muitos anos no Felgueiras, lembro-me disse porque o defrontei na altura."

Carlos Xavier olha para o plantel e salienta que o treinador tem de definir o sistema "consoante as características dos jogadores que tem à disposição". Analisando a matéria-prima às ordens de Jorge Jesus, o antigo internacional português considera que este sistema "é um dos que pode resultar".

E, ao contrário de Mário Jorge, Carlos Xavier até considera que ter três centrais e dois laterais-ofensivos "pode dar bons resultados frente às equipas mais fechadas". E conclui: "Gostava muito de o ver implementado no Sporting, penso que pode dar bons frutos. Temos de aguardar pelo jogo de domingo."

Tem a palavra Jorge Jesus, que já pode ter criado alguma dúvida no técnico do Arouca, Lito Vidigal.

@DN.PT
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