Fábio Paím: "Com 15 anos fartei-me do metro e comprei um carro"


Fábio Paim esteve esta quinta-feira numa conferência na Universidade Europeia, em Lisboa, para falar da sua experiência como jogador, enquadrado no tema «Do anonimato ao mundo da fama: a carreira de um futebolista», e esse poderá ser o seu futuro, perante um convite do Sindicato dos Jogadores.


O presidente do Sindicato, Joaquim Evangelista, apresentou ontem o enbrião de um projeto que pretende transformar o jogador num conferencista, para que o seu testemunho possa ajudar outros, aproveitando o seu nome: P.A.I.M. - Posso Ajudar a Inspirar o Mundo. A conferência procurava falar sobre as dificuldades da vida de um jogador para lidar com a fama.

A presença nesta conferência – ao lado de Evangelista, do agente FIFA Carlos Gonçalves e moderado pelo diretor-adjunto de A BOLA José Manuel Delgado – foi uma espécie de piloto para o partilhar de uma experiência de alguém que parecia ter tudo e perdeu devido a más escolhas ao longo da carreira. Paim está sem clube há um ano, desde que saiu do Luxemburgo, mas não quer ainda desistir.

«Ninguém me punha travão»
Perante uma plateia de uma centena de alunos de desporto, o jogador foi convidado a contar excertos da sua vida: recordou que foi morar para o lar do Sporting aos 6 anos e confessou que os primeiros salários foram gastos na compra de um carro ainda sem carta. Mas o pior foi depois, aos 21, quando regressou do Chelsea ao Sporting. «Fui emprestado ao Real Massamá. Tinha 21 anos. Podia ter ficado a treinar com a equipa. Comecei a sair mais, ninguém me punha travão», recordou.

Carlos Gonçalves, empresário da Proeleven que agencia, por exemplo, Marco Silva e André Villas-Boas, concordou com a excessiva pressão colocada em alguém tão jovem. «O problema é que com 21 anos já era considerado velho. Foi alguém que começou muito jovem. E havia tanta pressão e tanta expectativa que quem não está preparado tem dificuldades. Se calhar tinha qualidades a mais», disse. Fábio sorriu e levantou as mãos.

Evangelista recordou a importância da educação e da preparação cívica de uma pessoa numa profissão de desgaste rápido, pedindo mais empenho dos dirigentes.

«A formação [nos clubes] não é feita na ótica do jogador, mas sim do resultado desportivo e do seu valor económico», resumiu.O ciclo de conferências «Desporto com Futuro» continua a 17 de novembro com o tema do olimpismo e a 15 de dezembro com a arbitragem.

@Jornal ABOLA
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