Elias em entrevista à Globo Esporte: «Estou muito agradecido pela oportunidade de voltar ao Sporting»


Jogador afirma que técnico dos Leões queria sua chegada, trabalha por mais chances na seleção brasileira e torce para ver o Corinthians na Libertadores e o Fla campeão


No último dia da janela europeia de transferências, a torcida do Corinthians levou um susto ao abrir o noticiário. Elias, um dos principais ídolos e referência da equipe, estava de partida. Era mais um grande nome que deixava o Parque São Jorge em um desmanche dos campeões do Brasileirão de 2015. O destino do jogador surpreendeu ainda mais: o Sporting, clube que havia defendido em Portugal e que deixou justamente para voltar ao Brasil. Primeiro, em 2013, para o empréstimo ao Flamengo. Já em 2014, em definitivo para o Corinthians. No início de 2016, uma proposta tentadora da China o fez balançar, mas dois objetivos garantiram a permanência em São Paulo: ajudar na reestruturação do Timão, e aguardar por mais uma chance no futebol europeu. Ele está relacionado para o jogo desta terça-feira contra o Borussia Dortmund, pelo Grupo F da Liga dos Campeões.

Aos 31 anos, Elias tinha o horizonte europeu na mente. No Velho Continente, já defendeu Atlético de Madrid e o próprio Sporting. Seu "limite" era aguardar até os 32 anos, pois sabia que dificilmente teria outra chance em um grande clube. Quando a janela estava fechando, eis que apareceu Jesus. Calma, não se trata de nenhum milagre ou passagem da bíblia. O técnico dos Leões, Jorge Jesus, era um antigo entusiasta do futebol do brasileiro, desde quando comandava o grande rival Benfica. E pediu aos diretores a sua contratação. Deu certo.

Eu sempre tive como meta voltar para a Europa, e sabia que teria de acontecer até 32 anos, no máximo. Mas isso pegou todo mundo de surpresa, o interesse do Sporting e do treinador. Ele já queria contar comigo desde a época de Benfica. Claro que quando chega uma proposta da China, o dinheiro é absurdo, mas voltar para a Europa era meu objetivo. Além de poder disputar a Champions League e ter boa visibilidade para a Seleção - afirmou Elias ao GloboEsporte.com.

GloboEsporte.com: Quais são as diferenças para esse Sporting e o que você deixou?


Elias: A grande diferença que eu senti é a ambição por títulos. Desde diretores, até comissão técnica e jogadores. Todos com brilho nos olhos, que você vê em entrevistas e nas decisões que são tomadas. Estamos trabalhando muito para conquistar os títulos. É difícil, porque aqui (em Portugal) é um campeonato em que, se você perde um jogo, pode fazer a diferença no título. Mas estamos bem encaminhados, temos um ótimo time.

E sua relação com a diretoria, melhorou? Quando você deixou o Sporting a relação com a diretoria não era boa...

Está tudo esclarecido. Naquela época, o presidente defendia os interesses do Sporting. E eu defendia o meu interesse, que era jogar. Mas ainda conseguimos deixar as coisas resolvidas naquela época.

Na sua primeira passagem pelo Sporting, o clube passou por momentos políticos conturbados, além da crise financeira. Salários ficaram atrasados. Esse panorama mudou?

Antes do meu retorno para Portugal (do empréstimo ao Flamengo), o clube passou por um período difícil, com salários atrasados. Acabava influenciando dentro de campo. Quando esse presidente assumiu (Bruno de Carvalho), eu estava fora. Quando voltei, ele enxugou os gastos, conseguiu colocar as finanças em dia. Trabalhou muito. Fico feliz em receber essa oportunidade de novo. Então, só passei a trabalhar com ele quando voltei de empréstimo, mas meu pai já tinha negociado com ele para tentar minha transferência. Como não houve acordo, eu sabia que ficaria treinando em separado. Mas graças a Deus as coisas foram resolvidas.

O Sporting briga pelo título português e segue vivo na Champions. Já imaginou ser campeão português com o clube depois de tantos anos (não vence a liga nacional desde 2001-02)?

Qualquer clube que quer conquistar algo precisa estar funcionando bem dentro e fora de campo. Isso é fundamental, as coisas fora de campo têm que estar acertadas. Isso dá mais confiança e tranquilidade. O Sporting viveu anos conturbados com a crise econômica e política. Hoje as coisas estão funcionando dentro e fora de campo. E isso acaba resultando no futebol apresentado pela equipe. Por isso estamos brigando pelo título. Na temporada passada, o time brigou até o fim pelo título. Queremos o título nessa, queremos ser campeões. O torcedor está nos apoiando muito.

A estreia do Sporting na Champions foi em um ótimo jogo contra o Real, mas o time perdeu de virada por 2 a 1 no Bernabéu. Nesta terça-feira, o duelo é contra o Dortmund. Dá para sonhar com vaga nas oitavas?

Temos grandes chances de classificar a equipe, mas precisamos vencer. Contra o Dortmund, será um mata-mata, pois enfrentaremos eles duas vezes seguidas. Queremos fazer pelo menos quatro pontos, é uma grande equipe. Temos perfeitas condições de classificação. Espero poder jogar e ajudar o time.

É possível traçar um paralelo entre os trabalhos de Jorge Jesus e Tite?

Com certeza. Tite é o maior treinador da América do Sul. O Jesus é o melhor de Portugal e um dos melhores do mundo. Sempre procuro aprender com os treinadores que tenho. Os dois têm uma forma parecida de trabalho, de falar a verdade. O Jesus cobra mais, o Tite é um pouco diferente. Conversa bastante. Mas cobra na hora que precisa cobrar também. Considero que eles têm estilos perecidos, mas com uma forma de conversar um pouco diferente. São excelentes técnicos.

Elias Tite Corinthians (Foto: Daniel Augusto Jr/Agência Corinthians)
Por Rodrigo Cerqueira
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